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Rádio OnLine Toque Da Cidade

28 de ago de 2012

10 anos da ocorrência que mais teve repercussão para a Guarda Civil de Cotia.

O sequestro de Patrícia Abravanel, filha do apresentador Silvio Santos.
Não é raro as pessoas perguntarem sobre o caso do seqüestro da filha do apresentador e empresário Silvio Santos. Foi uma ocorrência de grande repercussão, ganhando destaques em todas as mídias televisivas, rádios, jornais, revistas, internet, a nível nacional e internacional.
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Todo o desfecho iniciou-se com a atuação da GUARDA CIVIL DE COTIA após a guarnição José, Paloni e Ribeiro, se depararem com uma trilha de cal que saía da rodovia Raposo Tavares e seguia em uma estrada por mais ou menos uns 04 quilômetros, depararam com um indivíduo em atitude suspeita, portando rojão e um rádio de comunicação HT, com o tirocínio policial aguçado, perceberam que algo de estranho estava ocorrendo, ao ser indagado pelos Guardas Civis e após cair em diversas contradições, o primeiro individuo detido foi algemado e seria levado a delegacia para averiguação, já que o referido não portava documentos pessoais, momento em os Guardas Civis, resolveram adentrar a uma trilha no mato, quando depararam com vários indivíduos encapuzados e fortemente armados, dando inicio a uma troca de tiros, a qual lograram êxito em deter mais um individuo.
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No local dentro da mata tinha uma clareira, onde havia uma cabana improvisada com lona plástica, garrafas de água, cordas. O que se presume é que o local seria usado para o pagamento do resgate, mas até então, nada havia de concreto com a relação ao seqüestro da filha do Silvio Santos.
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Na delegacia os Guardas Civis levantaram essa possibilidade, e comentaram com o delegado, o qual não acreditou que pudesse ter ligação um fato com o outro. Logo após ocorreram ligações com denúncias anônimas, que possivelmente a filha do Silvio Santos seria trazida para um cativeiro em Cotia. A partir daí que se passou a investigar a relação dos casos, e graças ao profissionalismo, tirocínio e persistência dos Guardas Civis de Cotia, que o caso teve o desfecho que é de conhecimento, conforme matérias da Revista Isto É Gente, Folha Online que seguem abaixo.
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Contradizendo o então Secretário de Segurança de São Paulo, Dr. Marco Vinício Petrelluzzi que em uma de suas entrevistas disse: “A atuação da Guarda Civil de Cotia foi um mero acaso. Além do que, os indivíduos detidos pela Guarda são inexperientes e de baixa periculosidade”. Momentos depois, o comparsa desses indivíduos, mata 02 policiais civis em um flat em Barueri, e logo em seguida foge de um cerco com mais de 100 policiais que estavam a sua caça, retornando para residência do Silvio Santos fazendo-o de refém, na intenção de não ser morto pelos policiais.
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Se esses bandidos eram de baixa periculosidade e portavam metralhadoras, pistolas e no momento do seqüestro um portava até fuzil...O que seria da sociedade se os bandidos fossem de alta periculosidade?!!!
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Mero Acaso??? O fato ocorreu por volta das 22:30h, quantos veículos não passaram por ali, quantas viaturas...??? Mas foi uma guarnição da GUARDA CIVIL DE COTIA que teve a perspicácia de seguir um MERO rastro de cal!
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Em fevereiro de 2002 deixa o cargo de secretário de segurança o Dr. Marco Vinício Petrelluzzi.
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Esta é a minha singela homenagem a todos os Guardas Civis DO BRASIL, nas pessoas dos GCs: Paloni, José e Ribeiro integrantes da Guarda Civil de Cotia, os quais souberam representar e muito bem o profissionalismo dos Guardas Civis que atuam por este Brasil a fora, que atendem desde um auxílio ao público (conduzir uma pessoa ao pronto socorro), a ocorrências de assaltos, furtos, homicídios, desinteligências, roubos, latrocínios, tráficos, seqüestros de vários anônimos que a repercussão evidentemente não é a mesma de uma pessoa famosa, mas para nós Guardas Civis Municipais; atendemos e nos empenhamos com a mesma dedicação profissional.
Saudações Azul Marinho!
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Gilberto Silva
GCM 1ªCL - Cotia / SP.

Heróis por acaso
Piti Reali
José, Pedro e Miguel, guardas civis de Cotia, enfrentaram com revólveres calibre 38 os seqüestradores armados com metralhadoras: “Nasci de novo”, diz o guarda Pedro
Os amigos Pedro Alves Paloni, 40 anos, José Jiquiri dos Santos, 33, e Miguel Ribeiro da Silva, 38, sempre viveram grandes emoções batendo bola dentro de um campo demarcado com cal em Cotia, na Grande São Paulo. Guardas civis da polícia metropolitana daquele município, o que eles não podiam imaginar é que uma outra marca de cal – esta em forma de trilha – descoberta durante uma ronda na mesma região, os levasse ao mais emocionante caso policial de suas carreiras. Foi caminhando por cima dessa linha, durante uma ronda, que Pedro, José e Miguel prenderam dois seqüestradores de Patrícia Abravanel às 22h30 da segunda-feira 27. A trilha de cal foi feita para que o local combinado para o pagamento do resgate fosse achado com facilidade.
Os três heróis cumprem o expediente de 12 horas de trabalho por 36 horas de folga. Moradores de Cotia, fazem bicos como seguranças de supermercados e obras para reforçar o orçamento familiar. O paulista Pedro, pai de cinco filhos, está há dez anos na Guarda Civil e recebe R$ 600. Na ação, descarregou as seis balas de seu revólver calibre 38. “Nasci de novo”, diz ele. “Os bandidos estavam com metralhadora, espingarda calibre 12 e pistola automática. E a gente só trabalha com 38. No meio do tiroteio só tinha a viatura para nos proteger.” Assim como os colegas, Pedro não foi ferido. Ele, que há três anos levou cinco tiros, perdendo um rim e a vesícula, se diverte nas horas de folga levando os filhos “para passear de fusquinha”.
No tiroteio, que durou cerca de dois minutos, o alagoano de Arapiraca José Jiquiri foi quem mais se machucou. Além de arranhões no nariz provocados por galhos de árvores, ele caminha com dificuldades e suspeita que tenha torcido o joelho numa queda durante o tiroteio. Entre salário e bicos, o alagoano sobrevive com uma renda de R$ 1,2 mil mensais e sustenta esposa, que recebe R$ 300 como diarista, e três filhos. Com a experiência de doze anos de profissão, José foi baleado uma única vez e não acredita em nenhum tipo de promoção. “A gente é reconhecido agora, é elogiado, mas depois de um tempo somos esquecidos”, diz. “Quando tudo terminou, a gente se abraçou.”
Pai de dois filhos, o paulista Miguel é o mais novo na profissão. Com um ano de Guarda Civil, ele recebe salário de R$ 480. “Sinceramente, nunca senti tanto medo na vida. Imagina um cara distante dez passos de você, apontando uma arma para sua cabeça!” Passado o susto e com a sensação de dever cumprido, os três pensam agora em comemorar dentro de campo, ainda esta semana, como conta o alagoano: “Vamos bolar um esqueminha, talvez um churrasquinho. Nós estamos vivos, né? Para nós essa é a vitória”.
01/09/2001
CAPA
PATRICIA ABRAVANEL A mais longa semana de Silvio Santos O seqüestro de Patrícia Abravanel envolveu tensas negociações de resgate, o pagamento de R$ 500 mil, a troca de tiros entre policiais e bandidos e levou Silvio Santos a tomar calmantes, ficar sem comer e pensar em se mudar do Brasil
Juliana Lopes e Rodrigo Cardoso
A alegria entre pai e filha tomou conta na sacada da mansão do empresário no Morumbi na terça-feira 28: no cativeiro, Patrícia bebeu chá, comeu pipoca e jogou baralho com os seqüestradores
“Maaaaaaaãe, paaaaai! Tô aqui”, gritou em prantos Patrícia Abravanel assim que pisou em casa depois de sete dias seqüestrada. Nos braços de Íris, sua mãe, e Senor Abravanel, seu pai, a jovem de 24 anos chorava, soluçava e abraçava a família com a emoção de quem rezou e pediu a Deus para que esse momento chegasse logo. Patrícia recebeu abraços das outras irmãs, de familiares e de amigos próximos a Silvio Santos. Quase vinte minutos se passaram sem que alguém conseguisse falar uma frase por inteiro. “Graças a Deus tudo terminou”, afirmou Íris, que rezou em seguida ao lado da família. “Eu não fui maltratada, não chegaram perto de mim, não me encostaram a mão. Os seqüestradores me disseram que o meu Deus é muito bom”, afirmou, eufórica, Patrícia, 13 horas mais tarde. “Desde terça até agora me senti tão seqüestrado quanto ela”, disse Silvio Santos, 71 anos, ainda emocionado.
Patrícia chegou em casa às 2h50 da terça-feira 28 vestida com moletom claro com capuz, calça jeans e cabelos presos. Pouco antes, os seqüestradores a haviam tirado do cativeiro no bairro do Morumbi, a 10 quilômetros de sua residência. Com os olhos vendados, foi colocada no banco da frente em seu próprio Passat azul importado. Na Marginal Pinheiros, próximo ao Palácio dos Bandeirantes, os seqüestradores pararam o carro. “Me perdoa, princesa”, afirmou um deles. “Conte até 25, tire a venda e vá para casa”, disse outro. Foi o que ela fez. “Não acreditei quando eles me disseram que eu ia embora mesmo sem o pagamento do resgate”, conta Patrícia, que na verdade foi libertada após o pagamento de um resgate de R$ 500 mil.
Silvio, Íris e Patrícia ao fundo: “Elas são evangélicas e eu sou judeu. Minha filha é a pastora Patrícia”, diz o empresário se referindo ao fato de a jovem ter falado sobre Deus com os criminosos
Patrícia ficava sempre com um dos criminosos ao seu lado durante a noite. Nos primeiros dois dias teve um dos braços amarrado. Seu comportamento dócil conquistou a confiança dos seqüestradores, apesar de nunca ter visto o rosto de nenhum deles. “Eles usavam capuz, só os olhos ficavam de fora”, lembra. A jovem conversava muito com eles, pregava a sua crença religiosa e demonstrava compreensão. A alimentação foi garantida. Chegou ao requinte de ter chá e pipoca, apreciados entre conversas, orações, jogos de baralho e dominó. “Você não tem noção da vida que eu levo”, disse um dos seqüestradores à jovem. “Chorei com eles. Seqüestro acontece porque o povo está maltratado. Sinceramente, não gostaria que eles fossem presos. Eu perdôo”, afirma ela.
Patrícia é formada em marketing e faz o primeiro ano do curso de administração de empresas da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), no bairro do Pacaembu, onde freqüenta as aulas acompanhada por seguranças, que ficam no pátio da faculdade aguardando a saída da filha do empresário. Ela é a única das seis filhas do apresentador que trabalha na emissora de televisão do pai, o SBT, na área de marketing. E é a mais velha do casamento com a jornalista Íris Abravanel, mãe também de Daniela, 25 anos, Rebeca, 21, e Renata, 16. No primeiro casamento, com Aparecida Honória Vieira, a Cidinha, que morreu de câncer no final da década de 70, Silvio Santos teve duas filhas: Cintia, de 37 anos, e Silvia, de 33.

Patrícia chega a sua casa no Morumbi às 2h50 da terça-feira 28: abraços e choros
DOIS PRESOS Todo final feliz tem seu herói. Nesta história, há três. Na noite de segunda-feira 27, três guardas civis do município de Cotia, próximo a São Paulo, faziam ronda em um condomínio fechado. Pedro Alves Palone, José Jiquiri dos Santos e Miguel Ribeiro da Silva (leia quadro acima) transitavam em um Gol azul escuro quando viram uma trilha de cal. Poucos metros adiante viram um homem montado em cima de uma bicicleta. Os policiais se identificaram e deram a voz de prisão. A suspeita virou certeza. O homem carregava um rádio comunicador e tinha na bicicleta vários sinalizadores. Foi preso. Mais adiante, outros dois homens, que cobriam os rostos com capuz, fingiram ser da polícia. “Nós é que somos da polícia, não vocês”, retrucou um dos guardas.
Kiko Cabral
O sobrinho de Silvio Santos, Guilherme Stoliar, foi o negociador oficial e falou várias vezes com os seqüestradores por um telefone celular pré-pago
A frase nem bem terminou e os tiros começaram. Os policiais também atiraram, mas não conseguiram prender os outros suspeitos. Voltaram para o carro, onde estava algemado Marcelo Batista Santos, chamado de Pirata, 27 anos. “Os policiais estavam de sobreaviso, viram um cara no meio do mato naquela hora e suspeitaram que havia algo errado”, afirmou o coronel Castelo Branco, secretário de segurança pública de Cotia. No momento da prisão, Marcelo ainda não havia sido relacionado ao seqüestro da filha de Silvio Santos.
Marcelo foi encaminhado para o Depatri, na Zona Norte de São Paulo, a pedido do titular da Delegacia Anti-Seqüestro, Wagner Giudice, que desconfiou do envolvimento do rapaz no rapto de Patrícia. Marcelo acabou confessando o seqüestro e entregou o comparsa Esdras Dutra Pinto, conhecido como André, de 19 anos. Na manhã de terça-feira Esdras foi preso em sua casa, no bairro de São Miguel Paulista. Com ele a polícia encontrou armas, munição, perucas, uma corda, uma camiseta imitando uniforme de carteiro, um exemplar da biografia A Fantástica História de Silvio Santos e uma Bíblia parcialmente queimada. O bando era formado por quatro pessoas. Além de Marcelo e Esdras, ainda estão foragidos seu irmão, Fernando Dutra Pinto, de 22 anos, e a namorada dele, por enquanto identificada apenas como Jennifer, aparentemente grávida, segundo a vizinhança do cativeiro. Apenas os irmãos tinham antecedentes criminais, por porte ilegal de arma.
“Eu fui bem cuidada. Em nenhum momento eu fiquei abalada, sentia que estavam orando para mim’’
A detenção de Marcelo em Cotia interrompeu parte da estratégia de pagamento do resgate. Foram várias as tentativas para se entregar o dinheiro. A primeira delas foi no sábado à noite. Os diálogos continuaram e, no domingo 26, houve outra, em vão. O sobrinho do empresário e ex-vice-presidente do SBT, Guilherme Stoliar, foi quem esteve à frente das negociações. O acerto foi feito em torno da meia-noite de segunda-feira. No trevo da cidade de Jandira, da rodovia Castelo Branco, estava parado um Gol. O familiar entregou a quantia de R$ 500 mil num saco plástico transparente para Fernando, que está foragido e é suspeito de ser o mentor do crime. No início, o pedido foi de R$ 2 milhões. Mas a quantia foi, paulatinamente, sendo reduzida no decorrer das ligações feitas pelos seqüestradores a um celular pré-pago deixado previamente na casa de Silvio, no momento em que a jovem foi levada. “Eles foram inexperientes, tudo indica que foi o primeiro seqüestro deles”, afirmou o delegado Giudice. “Nos afastamos das negociações entre os seqüestradores e a família. Mas continuamos investigando o crime”, afirmou Marco Vinício Petrelluzzi, secretário da Segurança Pública de São Paulo.
Eles pediram para eu escrever uma carta e eu escrevi só coisa boa na carta. Disseram: ‘O que é isso? Você foi seqüestrada!’. Aí acabaram ditando uma para eu escrever’’
Sebastião Moreira/AE
Marco Vinício Petrelluzzi, secretário da Segurança Pública de São Paulo: “Nos afastamos das negociações entre os seqüestradores e a família. Mas continuamos investigando o crime”
As investigações levaram ao cativeiro de Patrícia. A 10 quilômetros de sua residência, a jovem ficou numa casa alugada há 30 dias por um casal da quadrilha e seu carro ficou estacionado na garagem o tempo todo. A casa, na rua Áurea Batista dos Santos, 840, no Morumbi, tem três dormitórios. Patrícia ficou em um deles. Tinha para seu conforto apenas um colchão e uma televisão para distraí-la. “Assistia ao canal Gospel para não saber o que estava acontecendo comigo”, contou Patrícia. Manoel França, um senhor com 79 anos de idade, é o dono do imóvel e também tem uma casa vizinha, onde mora. Fechou por R$ 800 o aluguel mensal com os novos inquilinos. “Não desconfiei de nada e gostei dos inquilinos porque é a primeira vez que pagam o aluguel em dia”, conta. “E ainda pagaram três meses adiantado.”
A polícia descobriu a casa na tarde de terça-feira 28. Lá estavam alguns objetos pessoais de Patrícia. “Pelo que apuramos, eles parecem aventureiros”, afirma o delegado Giudice. Da mesma opinião, compartilha a filha de Silvio Santos: “Eles eram muito jovens e não pareciam experientes”.
Claudio Gatti
“Essa filha me dá um trabalho... devia ter pedido para que os seqüestradores ficassem mais tempo com ela’’ Silvio Santos
Silvio Santos viveu momentos de agonia nos sete dias de negociação. O empresário oscilava entre o medo de ocorrer algo trágico com sua filha, a fúria por se sentir impotente e o desgaste físico. Sofreu com problemas de pressão alta, em função da tensão das negociações.
Claudio Gatti
“Me alimentaram, me deram chá quente, fizeram pipoca para mim. Jogamos baralho, dominó, rezamos juntos e eu chorei com eles’’
Fez um apelo público pedindo, através de uma carta dramática escrita à mão: “A vida da minha filha Patrícia depende da minha palavra empenhada e da colaboração de vocês. Que Deus ouça as nossas preces e que tudo termine bem”.
O empresário recebeu telefonema de Fernando Henrique Cardoso. O presidente da República colocou o Ministério da Justiça e a Polícia Federal à sua disposição. “No que você precisar, estarei aqui para atendê-lo”, disse FHC. Silvio ficou vários dias sem comer direito e sem dormir. Em um dos momentos mais difíceis, precisou de auxílio médico e passou a tomar calmantes leves para relaxar. Íris se apegou à religião evangélica e rezou centenas de vezes no decorrer de cada dia. Chegou a receber amigos da igreja Vida Nova. “Estou muito apreensivo”, desabafou Silvio, no domingo 26, a um amigo.
Assistia só à TV Gospel, para não saber muito do que estava acontecendo comigo’’’
Fotos: Claudio Gatti
Manoel França alugou a casa por R$ 800 por mês para os seqüestradores: “Não desconfiei de nada”, afirmou. “Pela primeira vez me pagam o aluguel em dia”
Não foi a primeira vez que o empresário sofreu seqüestro na família. Em 1992, sua irmã Sara Benvinda Soares ficou 15 horas nas mãos de criminosos. Graças à inexperiência dos seqüestradores, Sara retornou à casa sem que a família pagasse resgate. Desta vez, porém, Silvio garantiu que mudará sua conduta pessoal. Pretende demitir sua equipe de segurança e contratar uma agência especializada para fazer o serviço mais ostensivo. Deve ainda deixar de transitar pelas ruas de São Paulo dirigindo seu Lincoln Continental 1999, blindado, branco com capota verde claro, sem seguranças. Mais. Pode até deixar o Brasil e se mudar para os Estados Unidos. “Não quero sair do País, quero continuar a faculdade, morando na mesma casa”, disse Patrícia, discordando dos planos do pai.
Fotos: Claudio Gatti
“Eu acho que meu pai precisa de Deus. Meu pai não tem Deus. Por isso que ele ficou tão mal enquanto eu não estava aqui. Ele deveria achar outras formas de ajudar esse povo. Não é dando uma casa, tem que fazer mais’’
Silvio Santos está à frente de um grupo de 34 empresas, com 7.400 funcionários. A principal é a Liderança Capitalização, responsável pela Telesena. A segunda é o SBT, seguido pelo Banco Panamericano. O Baú da Felicidade, que já foi o carro-chefe do grupo, está em quarto lugar. Silvio tem também empresas de seguros, distribuidoras de automóveis e uma administradora de cartões de crédito.
O seqüestro começou quando dois homens disfarçados de funcionários dos Correios anunciaram a entrega de uma encomenda na mansão de Silvio Santos. José Izaldino Ramos da Silva trabalhava na portaria e abriu a janela da guarita para receber a entrega. Eles apontaram as duas armas e o renderam.
Meu pai se surpreendeu com a minha força, com o meu Deus. Ele está tremendo na base...’’
Fotos: Claudio Gatti
Silvio Santos, mais relaxado, agora se recupera das crises de pressão alta que sofreu durante as negociações para o pagamento do resgate
Os falsos carteiros falaram, em seguida, num rádio com outros seqüestradores, que estavam em um Corsa prata, com placa DCD-2295, roubado no último dia 8, nas vizinhanças da mansão. O carro se aproximou assim que os falsos carteiros tiveram acesso ao controle automático do portão da mansão. Os outros quatro seqüestradores esconderam seus rostos com máscaras escuras e entraram na garagem, com o Corsa no pátio da casa, onde Patrícia costumava sair diariamente naquele horário para ir estudar. “Não deu tempo de reagir. Na hora, só pensei em não morrer”, conta o segurança José Izaldino.
Me senti no filme A Vida É Bela porque a guerra estava acontecendo e eu estava bem ali’’
Monica Zarattini/AE
Marcelo (à frente) e Esdras: o primeiro confessou o crime e entregou o amigo, preso em sua própria casa com armas, uma biografia de Silvio Santos e uma Bíblia queimada
SEPARADO HÁ UM MÊS Os quatro homens renderam outros funcionários da casa, equipados com metralhadoras e até um fuzil. Eles levaram a jovem no seu próprio carro, um Passat azul importado, de placa LOE-0053. Silvio Santos ficou sabendo do seqüestro da filha por telefone. Estava num flat em outro bairro da capital, e foi avisado pela mulher, Íris Abravanel, de quem está separado há um mês. O Corsa foi abandonado na mansão e serviu de ponto de partida para as investigações. Duas digitais foram encontradas pela perícia e um retrato falado de um dos seqüestradores foi feito. Uma Cherokee preta também foi usada no seqüestro e foi encontrada no outro lado da cidade.
Tatiana Constant/AE
Sara, irmã do Silvio Santos: foi seqüestrada em 1992 e encontrada pela polícia 15 horas mais tarde sem pagamento do resgate
Silvio Santos não hesitou em telefonar para o secretário de Segurança do Estado, Marco Vinício Petrelluzzi, para pedir ajuda. Imediatamente, o secretário acionou a delegacia Anti-Seqüestro e o delegado Wagner Giudice, responsável pelas investigações, passou a tarde na casa de Silvio Santos. A polícia fez um levantamento de empregados e ex-funcionários da casa e verificou que pelo menos 15 trabalhadores, entre guardas, serventes e copeiras, foram demitidos da casa nos últimos doze meses, embora um grande número deles sejam antigos. A história do seqüestro de Patrícia Abravanel impressiona pela ousadia dos bandidos, que invadiram a casa de um dos homens mais queridos do Brasil. Mas, ao final de sete dias tensos, permitiu que os brasileiros se reencontrassem com o simpático sorriso de Silvio Santos.
Com Cássia Dian e Marina Monzilo
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Guarda Civil prende supostos sequestradores em Cotia
28/08/2001 - 12h12 A GCM (Guarda Civil Metropolitana) prendeu na noite de ontem dois supostos sequestradores na região de Cotia, na Grande São Paulo. A GCM acredita que o local serviria para pagamento de resgate. Conforme a CGM, um dos presos foi encontrado no final de uma trilha, sinalizada com cal. O suspeito carregava um rádio HT e dois morteiros. No local, houve troca de tiros com três homens encapuzados. As informações foram passadas para a Deas (Delegacia Anti-Sequestro), que apura uma possível ligação dos dois presos com o sequestro de Patrícia Abravanel, 24, filha de Silvio Santos. Até momento não há informações oficiais. A ação da polícia ocorreu por volta das 22h30 em um matagal próximo ao km 39 da rodovia Raposo Tavares. . Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u35855.shtml ______________________________________________________________________________________________
Matagal de Cotia serivia para pagamento do resgate, diz Guarda
28/08/2001 - 16h15 A trilha encontrada na noite de ontem pela Guarda Civil de Cotia, na Grande São Paulo, serviria para o pagamento do resgate, segundo o comandante da guarda, José Eduardo Prado. Conforme Prado, os dois suspeitos detidos no local teriam participação no sequestro de Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos. "A informação que eu tenho é de que eles [presos] confessaram participação. Porém, como está sendo feita a investigação sob sigilo, não tenho mais dados", afirmou. A trilha foi descoberta pelos guardas civis, que desconfiaram de uma marca de cal feita no chão. A marcação levou até uma área onde os guardas apreenderam garrafas de água e cordas. Houve troca de tiros com um grupo encapuzado que estava no local. "Suponho que o local serviria para o pagamento do resgate. Apreendemos objetos que poderiam estar relacionados. Foram encontradas garrafas cheias de água, corda, sacos plásticos. Esse material foi recolhido e enviado para a Polícia Científica", disse o comandante. Com um dos presos, que estava em uma bicicleta, os guardas encontraram um rádio HT e dois morteiros. O ocupante de um Uno que estava nas proximidades também foi detido. "Eram três ou quatro encapuzados. Eles trocaram tiros com os guardas e fugiram", disse Prado. Guardas que participaram da ação estiveram hoje na Delegacia Anti-Sequestro. No entanto, a delegacia nega que os detidos também estejam lá. Nenhuma informação oficial foi dada até o momento por parte da delegacia. A polícia já teria o retrato falado de um dos sequestradores de Patrícia Abravanel. . Fonte: http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=991228055142545090&postID=6715708994894633972

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